Verbo de ligação


Credo ecumênico

Eu creio. Creio que um poder superior rege tudo o que existe. Creio que essa força seja o próprio amor, por natureza inclusivo e benevolente.

Creio que, como tal, em sua generosidade lança mão de todos os meios possíveis para atingir o coração das pessoas e fazer despertar nele a pureza e a fraternidade, mantenedoras da vida.

Creio que, em sua misericórdia e criatividade infinitas, propicia o surgimento das culturas e, por meio delas, estabelece múltiplos caminhos para ocasionar o “religare”, isto é, a harmonizadora reconexão do ser humano com a sua origem divina.

Creio que todos temos o direito à liberdade de culto e também ao livre-arbítrio de não crer, mesmo porque tudo é exercício de consciência. E creio que temos o dever de respeitar a diversidade das crenças. Creio na promoção de uma cultura de paz.

Onides Bonaccorsi Queiroz

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Dalai Lama, líder budista, confraterniza com sacerdote muçulmano (Foto: internet)

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Uma canção para todas as vozes

Religiosos e ateus: muito curiosa a maneira especular com que frequentemente enxergam uns aos outros.

O religioso supõe que o ateu está equivocado. Que é um deficiente, ao não conseguir perceber a existência de uma força superior a ele, que rege a vida. Um orgulhoso, que não se arrisca a crer.

Já o ateu acha que o crente é um iludido. Um covarde que, por não suportar a condição da finitude humana, fantasia a existência de uma realidade oculta e poderosa. Um burro, que não se arrisca a duvidar.

Há ateus empedernidos, amargos. Insensíveis, sentem-se à vontade para dar vazão aos seus comportamentos mais egoístas.

Mas há ateus cheios de compaixão. Que se colocam no lugar do outro, imaginam como é estar na sua pele e, por isso, manifestam bondade em seus gestos.

Há religiosos fundamentalistas que, buscando poder pessoal, empenham-se em decorar escrituras e preservar liturgias, esquecendo-se do ardor da ferida humana.

Há religiosos espiritualizados, que fazem uso dos ensinamentos em que acreditam para sinceramente ajudar os seus semelhantes a terem uma vida mais gratificante.

Essas classes apresentam matizes infinitas e, dentro desse espaço de diversidade, ocorrem, inclusive, migrações, já que a consciência é uma atividade psíquica. Mas há um fato comum: todos são pessoas. Todos têm anseios. Todos têm receios. Todos buscam, seja como for, algo que os pacifique.

Mas, para se chegar a essa paz, é imprescindível abrir mão de julgar quem quer que seja, incluindo a si próprio. Porque a experiência e os pontos de vista de cada um são legítimos.

É preciso aprender a fazer uso dessa possível linguagem comum, simples e elevada, difícil mas compensadora: sim, o amor.

Onides Bonaccorsi Queiroz

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Tomasz Alen Kopera (Óleo sobre tela)