Verbo de ligação


Prazer em te conhecer, meu filho
27/02/2018, 20:15
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Viver a maternidade ou a paternidade de modo atento e amoroso é uma experiência de extraordinário valor existencial.

Criar um filho assumindo as responsabilidades emocionais e práticas que a tarefa implica é examinar a vida de perto, é recriar-se e tornar mais compreensivo e generoso o nosso olhar para o mundo.

Construir a história comum aos dois, apropriando-se das heranças e aprendizados dos antepassados e aproveitando as oportunidades que o cotidiano nos dá de trocar informações com aquele ser que está sob a nossa guarda é um trabalho de imensa riqueza.

Entretanto, um dos aspectos mais belos desse processo não é tão somente conferir o resultado satisfatório que almejamos e programamos ao longo de anos, ao nos dedicarmos com afinco à formação integral daquela pessoa.

Para além disso, o que nos surpreende positivamente, quando cumprimos com as incumbências parentais, é descobrir que existem expressões que são particulares desse sujeito, algo que não dependeu diretamente da nossa influência – mas que certamente passou pelo nosso consentimento amoroso –, algo inusitado que ele exprime de forma serena, profícua e original, como elemento legítimo de sua natureza.

Então constatamos que a revelação e a manifestação das potencialidades desse filho nos promovem, nos renovam e nos alegram. E fazem despontar a conclusão: a tarefa mais nobre dos pais, também sutil e laboriosa, é proporcionar toda a provisão necessária, composta de afeto, limites, liberdade, incentivo e esteio material para que esse indivíduo possa vir a ser exatamente quem ele é.

Onides Bonaccorsi Queiroz

015AQ.jpg

(Foto: Adriana Queiroz)

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Tudo o que me dás
01/12/2017, 19:52
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No meu ventre,

criaste a paciência

do vir a ser.

Nas aréolas

dos meus seios,

sugando imprimiste

teu desejo de viver.

Na carne

dos meus braços,

moldaste um ninho

para os bebês.

A minha voz

tua inocência fez mais doce,

para te embalar e acalmar.

E ao meu coração

ensinaste acolher e deixar ir,

infinitamente, livre.

Teu nome é amor, meu filho.

Onides Bonaccorsi Queiroz

grávida fantástica

(Foto: internet)



Amor de mãe – contação de história

Eu e tu, meu filho
06/05/2016, 22:01
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Ah, que doce instância é essa, singelo e gigante universo: eu e tu, meu filho. Unidade, luz e amor desde o ventre. E mesmo antes dele. Pois eu já te amava quando, menina, embalava minha boneca.

Que bom, vieste! E o que há de melhor em mim foi certamente despertado pela tua presença. As maiores superações que já pude fazer, tu as ocasionaste. E o que eu não faria nem em meu próprio favor, aceitei fazer por ti, de bom grado.

Pelo teu advento em minha vida, meu peito, tão sufocado pelo medo de amar, então se abriu mais. E tenho agora nova disposição para os seres humanos, especialmente para as crianças. Pois vejo em todas os olhos inocentes e brincalhões do meu menino, que corria livre pelo nosso grande quintal.

Ah, tão querido, se soubesses quão terna e dolorosa é a memória de uma mãe… A bordo dela estão todos os momentos e todo o afeto vividos junto à sua cria.

Então, meu bem, não importa que tenhas crescido. Não importa que tenhas seguido teus passos, como devia ser, que tenhas te apartado de mim. Eu sou tua mãe e te trarei sempre junto ao meu coração.

Onides Bonaccorsi Queiroz

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(Foto: Adriana Queiroz)

 



conversa entre mãe e filho com mente matemática
08/07/2013, 17:18
Filed under: Prosa | Tags: ,

O menino chega do futebol quando principia o anoitecer – é o combinado.

– Oi, filho. Vá tomar banho.

– Mais tarde.

– Mas esperar o quê? Vá agora.

Ele, como se nunca tivesse sabido:

– Por que tomar banho agora? Me diz!

– Como “por quê”? Porque você está todo suado, sujo, seu cheiro não está dos melhores e é quase noite. Por isso.

– Hum…

– Vá. Enquanto isso, preparo algo pra gente comer.

Então o filho com mente matemática pensa um pouco e declara:

– Você me convenceu em 70%.

– Ai, que bom! Isso quer dizer que estou quase conseguindo.

– Não, mãe. Isso quer dizer que ainda faltam 30%.

Onides Bonaccorsi Queiroz