Verbo de ligação


Credo ecumênico

Eu creio. Creio que um poder superior rege tudo o que existe. Creio que essa força seja o próprio amor, por natureza inclusivo e benevolente.

Creio que, como tal, em sua generosidade lança mão de todos os meios possíveis para atingir o coração das pessoas e fazer despertar nele a pureza e a fraternidade, mantenedoras da vida.

Creio que, em sua misericórdia e criatividade infinitas, propicia o surgimento das culturas e, por meio delas, estabelece múltiplos caminhos para ocasionar o “religare”, isto é, a harmonizadora reconexão do ser humano com a sua origem divina.

Creio que todos temos o direito à liberdade de culto e também ao livre-arbítrio de não crer, mesmo porque tudo é exercício de consciência. E creio que temos o dever de respeitar a diversidade das crenças. Creio na promoção de uma cultura de paz.

Onides Bonaccorsi Queiroz

respeito (2)

Dalai Lama, líder budista, confraterniza com sacerdote muçulmano (Foto: internet)

Anúncios


dezessete

Dezessete homens da Polícia Militar do Paraná se negaram, esta semana, a entrar em confronto com a população. Em sua maior parte, eram professores que protestavam, em Curitiba, contra a manobra de autoridades que desejam usurpar recursos da classe para pagar a conta da incompetência na administração pública.

Dezessete homens – e talvez mulheres – se recusaram a combater um movimento pacífico e justo, realizado por um dos segmentos mais fundamentais na formação da sociedade e – disparate – mais desprezados.

Dezessete homens não se dispuseram a avançar contra o povo, a atirar contundentes projéteis de borracha, a soltar cães ferozes sobre trabalhadores, a lançar, no meio da multidão, bombas de efeito moral – “moral”? Oh, ironia…

Dezessete homens – também já se falou em cinquenta – perceberam o equívoco e encontraram dentro de si envergadura ética para resistir e dizer: eu não!

Eles sabiam que então seriam punidos, dentro da corporação, com prisão e talvez exoneração. Que seriam discriminados – e até mesmo invejados – por muitos colegas de batalhão que não compreendessem que o discernimento é um valor mais elevado que a obediência. Mas, como a consciência traz a coragem para realizar a tarefa necessária, eles puderam seguir seu intento.

Dezessete. Queria saber quem são eles, olhar nos seus olhos, ouvir suas histórias e aspirações. O que pensaram, o que sentiram, o que farão? Queria saber como foram educados, como era o ambiente da sua infância, dos seus lares.

Queria beijar a mão de suas mães, que souberam cultivar na alma deles terrenos propícios para que tivessem um coração pulsante e compassivo. E também a mão de seus pais, que não se furtaram a estabelecer os limites indispensáveis para que esses homens tivessem condições de agir como tanta grandeza e honra.

Cada um desses valorosos homens deve orgulhar não apenas seus filhos, suas esposas, familiares e amigos, mas toda a nação humana. Porque quando, diante de um cenário tão lamentável que nos arranca dolorosas lágrimas, nos deparamos com tamanha dignidade, nosso peito consegue, de novo, respirar esperança.

Dezessete mil rosas de gratidão para condecorar, promover e festejar esses bravos homens que, no exercício de sua profissão, não abdicaram de sua humanidade.

Onides Bonaccorsi Queiroz

rosas brancas

    (Foto: internet)