Verbo de ligação


no dia marcado
10/12/2009, 15:22
Filed under: Prosa | Tags:

Vai longe aquela tarde em que percebi que fingia saber o que tanto ignorava. Então lhe expus minha mais legítima dúvida.

– Afinal de contas, quem és?

Enfim a pergunta essencial, que ele só poderia acolher com atenção e carinho. E porque era sincera e decidida, não se furtou a responder logo. Na mesma noite, precisamente.

Eu dormia e recebi sua visita em sonho. Foi surgindo diante de mim o que entendi como a mais deslumbrante das criaturas.

Era homem e era Deus. Tinha a potência do masculino e os requintes do feminino. Belo, belíssimo, como só a engenhosidade do puro amor poderia conceber. Profundo, alegre e terno. Absolutamente acolhedor, em sua muita compaixão, e também instigante, com suas preciosidades intermináveis.

Isso e muito mais, tanto que eu nem saberia repetir, meu coração compreendeu ao testemunhar, por um momento, sua presença. Mas não havia tempo. Havia o tudo. Ou ao menos o tudo compreensível por mim. Que me arrancou uma exclamação feliz e inesgotável: então é esse Jesus Cristo!

O que Ele era me seduziu sem chance de escape. Mas quem queria resistir-Lhe?

Até hoje não consigo vê-Lo de outra forma mais atraente, senão como apaixonada. Senão como Sua futura, devotada esposa.

Em Sua paciência e lealdade, aguarda-me em meus preparos de noiva. E, ainda que me ampare a todo instante, em cada detalhe mínimo, É sábio tanto o meu amado que ainda assim fará emergir de Si surpresa e encantamento ao me ver, no dia marcado, pronta para as nossas bodas.

Onides Bonaccorsi Queiroz

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