Verbo de ligação


a sabedoria de rudolf steiner
31/07/2013, 21:50
Filed under: Citações

Nego-me a submeter-me ao medo,

Que me tira a alegria de minha liberdade,

Que não me deixa arriscar nada,

Que me torna pequeno e mesquinho,

Que me amarra,

Que não me deixa ser direto e franco,

Que me persegue,

Que ocupa negativamente a minha imaginação,

Que sempre pinta visões sombrias.

No entanto não quero levantar barricadas por medo do medo,

Eu quero viver, não quero encerrar-me.

Não quero ser amigável por medo de ser sincero.

Quero pisar firme porque estou seguro,

E não para encobrir o medo.

E quando me calo, quero fazê-lo por amor

E não por temer as consequências de minhas palavras.

Não quero acreditar em algo só por medo de não acreditar.

Não quero filosofar por medo de que algo possa atingir-me de perto.

Não quero dobrar-me só porque tenho medo de não ser amável.

Não quero impor algo aos outros pelo medo de que possam impor algo a mim.

Por medo de errar não quero me tornar inativo.

Não quero fugir de volta para o velho, o inaceitável, por medo de não me sentir seguro no novo.

Não quero fazer-me de importante porque tenho medo de ser ignorado.

Por convicção e amor quero fazer o que faço e deixar de fazer o que deixo de fazer.

Do medo quero arrancar o domínio de dá-lo ao amor.

E quero crer no reino que existe em mim.

Rudolf Steiner

Rudolf Steiner (1861-1925) foi filósofo, educador, artista e esoterista. Foi fundador da Antroposofia, da Pedagogia Waldorf, da agricultura biodinâmica, da medicina antroposófica e da Euritimia

Rudolf Steiner (1861-1925) foi filósofo, educador, artista e esoterista. Foi fundador da Antroposofia, da Pedagogia Waldorf, da Agricultura Biodinâmica, da Medicina Antroposófica e da Euritimia.

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niemeyer, 104 anos
13/01/2012, 19:05
Filed under: Citações, Imagem
Oscar Niemeyer, o mais célebre arquiteto brasileiro

 “Fiz o que quis. Juscelino Kubitschek nunca me disse para projetar cúpulas no Congresso, rampa no Planalto, parlatório – até que ficou direitinho. Se não houvesse parlatório, os presidentes ficariam acenando para o povo de uma janela, como se fossem papas. Seria ridículo.”

“Amo a vida e a vida me ama. Somos um casalzinho insuportável.”

“Às vezes, você tem de botar a razão de lado e fazer uma coisa bonita.”

“A vida é importante, a arquitetura não é. Até é bom saber das coisas da cultura, da pintura, da arte. Mas não é essencial. Essencial é o bom comportamento do homem diante da vida.”

“Existem apenas dois segredos para manter a lucidez na minha idade: o primeiro é manter a memória em dia. O segundo eu não me lembro.”

“A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem.”

“A vida é um sopro. Por isso, não há motivo para tanto ódio.”

“Odeio praias lotadas aos domingos. Não dá pra surfar direito, é o maior crowd.”

“Acho muito bom a pessoa se recolher e ficar pensando em si mesma, conversando com esse ser que tem dentro dela, que é nosso sósia, né? Eu converso com ele a vida inteira.”

“Meu médico me proibiu de tomar vinho todos os dias. Sorte que ele não falou nada sobre Smirnoff Ice.”

“Na Catedral de Brasília, por exemplo, evitei as soluções usuais das velhas catedrais escuras, lembrando pecado. E, ao contrário, fiz escura a galeria de acesso à nave, e esta, toda iluminada, colorida, voltada com seus belos vitrais transparentes para os espaços infinitos.”

“Estou me lixando para o cliente.”

“Nunca me calei. Nunca escondi minha posição de comunista. Os mais compreensivos que me convocam como arquiteto sabem da minha posição ideológica. Pensam que sou um equivocado e eu penso a mesma coisa deles. Não permito que ideologia nenhuma interfira em minhas amizades.”

“Não posso me queixar. Até que tenho tido trabalho.”

“O importante não é sair da escola como profissional competente, mas estar consciente dos problemas da vida, desta miséria imensa que precisa ser eliminada.”

“Quando uma forma cria beleza tem na beleza sua própria justificativa.”

“Todos ficam falando Zé Alencar é isso, Zé Alencar é aquilo. Mas quem fez Pilates e caminhou na praia hoje? Eu!”

“Sem a intuição não se faz nada. O ensino de hoje está roubando a intuição das crianças. Um garoto de 10 anos pode ser capaz de criar um painel fantástico. No entanto, ele é levado a lidar com esquemas prontos, a obedecer aos professores, a cair na rotina. No fundo, ninguém entende de arquitetura, porque ela é subjetiva, tem mistérios e minúcias que não são dados a revelar.”

“Solidariedade justifica o curto passeio da vida.”

“Toda escola superior deveria oferecer aulas de filosofia e história. Assim fugiríamos da figura do especialista e ganharíamos profissionais capacitados a conversar sobre a vida.”

“Quando se vê um arvoredo, o importante não são as árvores, mas os espaços entre elas.”

“Brasília nunca deveria ter sido projetada em forma de avião. O de camburão seria mais adequado.”

“Nunca penso na morte. Vou deixar para fazer nisso quando tiver mais idade.”

“Perto de mim, Justin Bieber ainda é um espermatozoide.”

“Ganhei um convite para ver o filme da Bruna Surfistinha. Espero que seja mesmo um filme sobre surf.”

“Não viva cada dia como se fosse o último. Viva como se fosse o primeiro.”

“Na minha idade, a melhor coisa de acordar de madrugada para ir ao banheiro é ter acordado.”

“Alguns homens melhoram depois dos 40. E eu mesmo só comecei a me sentir mais gato depois dos 90.”

“Queria muito encontrar um emprego vitalício. Só pra garantir o futuro, sabe… Andei comprando apostilas para concurso do Banco do Brasil. Não quero viver de arquitetura o resto da vida.”

“Foi-se o John Herbert, 81 anos. Essa molecada da área artística se acaba rápido demais.”

“São Paulo mostrou ao Brasil como se urbanizar com inteligência: basta fazer o exato contrário do que aconteceu lá.”

“Linda, eu não vou a museus. Eu crio museus. Quer ir ver uns museus?”

“Sem sono e a fim de sair pro agito. Quem embarca?”

“Se eu projetasse a casa do Big Brother os participantes iriam brigar pra ver quem saía primeiro.”

“Eu diria que sou um ser humano como outro qualquer. Deixo a minha pequena história, que vai desaparecer como todas as outras.”

“Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo – o universo curvo de Einstein.”

Oscar Niemeyer



o menino jesus de fernando pessoa
23/12/2011, 13:49
Filed under: Citações, Poesia

“…A mim, Ele me ensinou tudo.

Ele me ensinou a olhar para as coisas.

Ele me aponta todas as cores que há nas flores

e me mostra como as pedras são engraçadas

quando a gente as tem na mão e olha devagar para elas.

Damo-nos tão bem um com o outro na companhia de tudo

que nunca pensamos um no outro.

Vivemos juntos os dois com um acordo íntimo,

como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer nós brincamos as cinco pedrinhas

no degrau da porta de casa.

Graves, como convém a um Deus e a um poeta.

Como se cada pedra fosse todo o Universo

e fosse por isso um perigo muito grande

deixá-la cair no chão.

Depois eu lhe conto histórias

das coisas só dos homens.

E Ele sorri, porque tudo é incrível.

Ele ri dos reis e dos que não são reis.

E tem pena de ouvir falar das guerras e dos comércios.

Depois Ele adormece e eu o levo no colo

para dentro da minha casa, deito-o na minha cama,

despindo-o lentamente, como seguindo um ritual

todo humano e todo materno até Ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma.

Às vezes Ele acorda de noite, brinca com meus sonhos.

Vira uns de pena pro ar, põe uns por cima dos outros,

e bate palmas, sozinho, sorrindo para os meus sonhos.

Quando eu morrer, Filhinho, seja eu a criança,

o mais pequeno, pega-me Tu ao colo,

leva-me para dentro da Tua casa.

Deita-me na tua cama.

Despe o meu ser, cansado e humano.

Conta-me histórias caso eu acorde

para eu tornar a adormecer,

e dá-me sonhos Teus para eu brincar.”

Fernando Pessoa in Poema do Menino Jesus



mais gibran
18/10/2010, 18:58
Filed under: Citações

“Quando o amor vos chamar, segui-o,

embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;

e quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,

embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;

e quando ele vos falar, acreditai nele,

embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o jardim.

Pois, da mesma forma que o amor vos coroa, assim ele vos crucifica.

E da mesma forma por que ele contribui para vosso crescimento,

ele trabalha para a vossa poda.

E da mesma forma por que ele sobe à vossa altura

e acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,

assim também ele desce até vossas raízes e as sacode no seu apego à terra.

Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.

Ele vos debulha para expor a vossa nudez.

Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.

Ele vós mói até a extrema brancura.

Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.

Então, ele vos leva ao fogo sagrado

e vos transforma no pão místico do banquete divino.

Todas essas coisas, o amor operará em vós

para que conheçais os segredos de vossos corações e,

com esse conhecimento, vos convertais no pão místico do banquete divino.

Todavia, se no vosso temor procurardes somente a paz e o gozo do amor,

então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez

e abandonásseis a eira do amor,

para entrar no mundo sem estações, onde rireis, mas não todos os vossos risos,

e chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.

O amor nada dá senão de si próprio e nada recebe senão de si próprio.

O amor não possui e não se deixa possuir. Pois ele basta-se a si mesmo.

Quando um de vós ama, não diga: “Deus está no meu coração”, mas que diga antes:

“eu estou no coração de Deus”.

E não imaginais que possais dirigir o curso do amor, pois o amor,

se vos achar dignos, determinará ele próprio o vosso curso.

O amor não tem outro desejo, senão o de atingir a sua plenitude.

Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos, sejam estes vosso desejos:

de vos diluirdes no amor e serdes como um riacho que canta sua melodia para a noite;

de conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;

de ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor

e de sangrades de boa vontade e com alegria,

de acordardes na aurora com o coração alado

e agradecerdes por um novo dia de amor,

de voltardes para casa à noite com gratidão

e de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado,

e nos lábios uma canção de bem-aventurança.”

Khalil Gibran in “O Profeta”



de bem com a vida
09/01/2010, 17:47
Filed under: Citações

“O que você espera do futuro?” foi o tema da enquete da revista Sorria – para ser feliz agora (nº10, Ed. Mol). Veja o que respondeu Arquimedes Paiva, de 96 anos:

A esta altura? Ih, eu quero é nascer de novo.  Desta vez, venho mulher e perto do mar. Nem bonita que me incomodem, nem feia de se estranhar, mas bem cheirosa. Vou ser alguma coisa que mexa com a terra, porque gosto de plantas. Não quero marido, porque sei que se impacientam: eu mesmo só dou trabalho para a minha Quirina, que ela não me ouça. Vou precisar de pouco dinheiro. Muito sol. E água de coco, que é uma beleza. Talvez eu venda coco, é um bom ganho e se pode ficar o dia na praia. Tomara que eu lembre desse plano quando chegar do outro lado, porque é dos bons. Mas não sei, não. Ultimamente tenho esquecido até de vestir as calças de manhã.



bendito seja khalil gibran
01/09/2009, 00:36
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“Confie em seu médico e beba o seu remédio em silêncio e tranquilidade, pois sua mão, inteiramente pesada e dura, é guiada pela mão carinhosa do Oculto; e a xícara que ele traz, embora queime os seus lábios, foi modelada na argila cujo Oleiro a umedeceu com Suas próprias lágrimas sagradas.”

Khalil Gibran in “O Profeta”



são joão está acordado
23/06/2009, 14:32
Filed under: Citações, Poesia, Prosa | Tags: , ,

Capelinha de melão
É de São João,
É de cravo, é de rosa,
É de manjericão.
São João está acordado,
Ele não dorme, não,
Acordado, acordado
Está João.

Na fogueira gosto de lançar o que não me serve mais – e não serve para mais ninguém. Já joguei fotos que não me trazem boas lembranças, brinquedos violentos, filmes ruins, cartas que não me dizem mais nada e atiro tudo o que é meu e em que não vejo qualquer sinal de vida. Passam os meses, encho sacolas de trastes. Depois, diante da fogueira, faço pontaria e acerto, cheia de gosto:

– Queima, fogo! Queima! E me faz o favor de queimar sobretudo meus vícios, minhas compulsões de pensar, sentir, falar, comer e fazer o que não é bom, queima, por favor, os erros, os excessos, e queima também a indolência, derrete a frieza e me torna incondicionalmente amorosa.

Qualquer fogueira serve para esse intento. Porque o fogo transforma. Enquanto o ritual cria a oportunidade de moldar no mundo concreto a mudança que se quer realizar no abstrato psíquico.

Mas há um momento particularmente propício no ano para essa tarefa: a noite de São João.

João era filho de Zacarias e Isabel. Sua mãe era idosa quando concebeu e havia sido tida como estéril. Era prima de Maria, de modo que João e Jesus foram companheiros de infância.

Pastor de ovelhas, alimentava-se de mel e gafanhotos. Naquele tempo, pregava e batizava, as pessoas o procuravam, tamanha era a pungência da sua presença. João, conforme Isaías e também Malaquias profetizaram, proclamava a falência do modo de viver contaminado, que ainda hoje arrastamos, velho demais e obsoleto: “traçai o caminho do Senhor, aplanai as suas veredas” (Is 40,3). Assim, sua tarefa era – e é, pois João é anjo de Deus – preparar a chegada da força crística na Terra, para que habite plenamente entre os homens.

Que estamos doentes. Nosso mal se chama egoísmo, este medo que nos aterroriza e nos fecha em nós mesmos. Os sintomas todos conhecemos. A humanidade sofre tanto. Há tanta dor, tão cedo na vida. Tanta carência, tanto abandono. Tanta confusão sobre o que precisamos para viver. Quanto desamor há numa civilização que destrói a própria casa!

Cada dia mais, São João é muito necessário. Por isso, segue o pedido e o louvor.

Oh, São João querido, que ainda no ventre de tua mãe reconheceste o Salvador, estremecendo de alegria, que tiveste o merecimento de batizar Jesus e ver descer-Lhe o Cristo, que estiveste disposto a entregar a própria cabeça pela verdade, com tua lucidez, desperta em nós as forças que podem transformar a escuridão da noite humana. Consome em teu fogo divino nossa estagnação, abre espaço para a Boa Nova.

Viva São João Batista!

Onides Bonaccorsi Queiroz