Verbo de ligação


Eu e Curitiba, um afeto silencioso
20/06/2016, 20:16
Filed under: Prosa | Tags: ,

Conheço seus cheiros de inverno, suas delicadas fragrâncias de verão. Conheço seus ventos cortantes e as chuvas geladas. Aquele sol dolorido de inverno em céu de um azul profundo tão glacial que ameaça trincar.

Bem particular senhora. Sei de sua têmpera, seus caprichos, suas virtudes. Generosa dona, com manhãs perfumadas em quintais que não me saem da memória. Tardes que não se cansam de ser.

Conheço seus bairros, sua gente, sua fala, sua estética, identifico curitibanos num átimo. Depois me rio sozinha, sempre acerto.

Eu saí de lá. E, quando volto, levo o carinho. Nunca senti necessidade ou desejo de voltar a viver ali. Bem verdade que temo que a falta de sol me deprima. Será que deixei de amá-la?, já me perguntei.

Até que certa manhã, bem cedo, ia chegando. E fui conferindo a neblina, a paisagem, os sons, os edifícios, o povo… Como é que tudo aquilo sabia ser tão inconfundivelmente Curitiba?

Compreendi, naquele dia, que eu então me perdoara por tê-la deixado. E sentia que ela, como mãe madura e libertadora, me dizia: vai fazer tuas descobertas, guria. Vai, que teu espaço de filha permanece a salvo em meu peito.

Onides Bonaccorsi Queiroz

onides em curitiba

Anúncios

2 Comentários so far
Deixe um comentário

Ouço o sabor, degusto os sotaques… que delícia pertencer!
Adoro os seus textos!

Comentário por Ana Cláudia

Ah, Ana Cláudia! Que bom saber disso! Beijos, querida.

Comentário por onidesqueiroz




Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s



%d blogueiros gostam disto: