Verbo de ligação


Do lado esquerdo do peito
24/04/2016, 12:09
Filed under: Prosa | Tags:

Eles coroam as horas festivas. São bálsamo em dias de dor. Perfeitos nos momentos divertidos. Combinam com a vida cotidiana. E se encaixam até no silêncio. Entre os tesouros da vida, os amigos.

Que bom ter amigos de infância, nossos cúmplices do tempo em que vivíamos a glória da inocência. E amigos da juventude, com quem partilhamos dúvidas e sonhos. Companheiros de longa data são testemunhas da nossa jornada, sabem de onde viemos, por onde passamos, entendem o sentido de estarmos onde estamos.

Mas são bem-vindos também os novos amigos, que nos refrescam, trazem-nos outros olhares, outros risos, outras possibilidades. Com esses, momento sensacional e intrigante é quando os conhecemos e há tão grande empatia e as afinidades vão se revelando tantas que instantaneamente decidimos que os queremos amigos! Como se já o fôssemos há muito.

Ah, e o que dizer dos amigos pequenos? Nada como levar um papo a sério com criança, por irreverente que seja a ocasião. Elas são capazes de nos dizer verdades necessárias, às vezes jogando baldes de água fria em nossas ilusões, às vezes mostrando que somos melhores do que a nossa autoestima nos permite perceber. Com direito a inesperados e redentores ataques de beijos.

Há que se falar também dos amigos mais velhos, do nosso mesmo sexo, pois nos oferecem, com suas experiências passadas e presentes, perspectivas de gênero para o futuro e a oportunidade de redimensionar nossas percepções. Seu olhar mais maduro pode tanto nos acalmar ansiedades como inquietar zonas de conforto.

E como são agradáveis os amigos idosos, porque, quando a pessoa vive com sabedoria, é na velhice que está mais perto de sua essência e tem, portanto, mais paz, humor e generosidade. Além disso, a proximidade da morte costuma contribuir para um imbatível senso de realidade, com o qual muito podemos aprender.

É bom que a gente tenha, também, amigos de orientações sexuais diferentes da nossa. Eles nos ajudam a olhar o mundo com outros filtros e isso estimula a nossa capacidade de compreender a alma humana. Além de perceber que temos mais em comum do que imaginávamos.

E que tenhamos amigos de outra cor! Amigos de outra classe social. De outras profissões. Amigos de outra cidade. Amigos de outra nacionalidade, de outras culturas. Portadores de valores diversos e cujos hábitos poderemos estranhar, a princípio. Para depois entendermos que viver funciona de infinitos modos. E é no afeto que nos reunimos. Pois o bem-querer, o sorriso e o abraço são linguagens universais.

Por falar em universo, que tal amigos de outro planeta? Há muitos residindo aqui na Terra mesmo. Um amigo maluco-beleza que se preze tem o poder de sacudir saudável e deliciosamente as nossas convicções – ou de no mínimo nos divertir.

Que tenhamos amigos de outras religiões. E amigos sem religião. Amigos agnósticos e amigos ateus. Porque, no fundo, todos estão procurando, a seu modo, estar bem e essa busca sempre é legítima e respeitável.

Particularíssima é a categoria dos parentes amigos. Com eles a gente compartilha os genes, a história, a aparência, os costumes e os cacoetes do clã. Juntos temos o poder de curar as antigas feridas de família. E também de reciclarmos as velhas piadas!

Em especial, a amizade de um irmão, de uma irmã, quando estimulada desde a infância e cultivada na idade adulta é certamente um dos portos mais seguros da vida da gente. Como é confortante e fortalecedor constatar que, faça chuva ou faça sol, ali estão eles, ao nosso lado.

Mas há um tipo de amigo singularmente precioso. Os amigos-irmãos. Aqueles em cujo coração sentimos acolhimento absoluto. Aqueles com quem nos comunicamos em um olhar. Com quem exercitamos telepatia. Aqueles a quem damos licença até de nos chamarem a atenção, porque temos a certeza de que saberão fazê-lo com pertinência e amorosidade.

A presença desses nos faz sentir maiores, mais alegres, mais consistentes. Com eles o vínculo nunca está em jogo. Não porque a gente não erre e, às vezes, até se magoe mutuamente, sem querer. Mas porque a gente sabe que o amor que nos une é muito maior.

De todos os tipos, em todos os tempos da vida, benditos sejam os amigos. Esses seres que gentilmente nos estendem sua mão de afeto e tornam o caminhar mais leve, significativo e gratificante. A eles, todo nosso carinho e reverência.

Onides Bonaccorsi Queiroz

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Com a minha amiga e afilhada Geovanna (Foto: Arison Jardim)

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8 Comentários so far
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Adorei o texto…. ter amigos e ter você mesmo um pouco mais próximo de si… enriquece a gente. Abrs

Comentário por Rancho do Peregrino

Bem lembrado! Precisamos encontrar o amigo dentro também.

Comentário por Onides

Formidável, gostaria de merecer a honra de ser um deles.

Comentário por gilson

Se você é o Gilson Brandão, já mereceu! Se é outro Gilson, seja bem-vindo! Vamos tomar um café?

Comentário por Onides

Minha querida prima mesmo distante, como me emociona e faz-me sentir tão próxima a vc!!!

Comentário por Vincenza Bonaccorsi

Oi, queridona! Abraço cheio de carinho, prima!

Comentário por Onides

Adorei, Onidinha!
Amiga, irmã, peteleco atrás da orelha, sardinha na bunda e batom no dente… Riso frouxo, coração largo, tão largo q é um milagre q caiba no peito. Te amo, Frô!

Comentário por Sergio Mariani

Rsrsrs… Te amo muito, mano!

Comentário por Onides




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