Verbo de ligação


O dedo que aponta
01/04/2016, 15:50
Filed under: Prosa | Tags:

O dedo que aponta não é inocente.

É um velhaco, um oportunista que quer a atenção desviada de si. Intimamente, sabe que cometeu falhas e teme que sejam evidenciadas. A voz ruidosa que o acompanha brada, portanto, em proporção direta ao volume da culpa que carrega.

O dedo que aponta, empenhado no jogo da troca de acusações, expõe um velho vício humano: a fuga da responsabilidade.

Um combatedor atento, entretanto, acaba por perceber tal artifício e se retira dessa batalha estéril. Ele verifica que o único alvo ao qual vale a pena apontar o dedo é para si próprio. Um combatedor impecável tem a capacidade de trazer o foco para dentro, de olhar-se com honestidade, de identificar suas fraquezas e se corrigir.

Pois se o sujeito procede com mentiras, hipocrisia, egoísmo e indiferença no seu cotidiano, de onde imagina que venha a surgir uma nação respeitável? É uma pretensão no mínimo ingênua.

Cada um que queira de fato ver a realidade transformada precisa se comprometer com um modo íntegro de sentir, pensar e agir.

Se é cultivada a retidão pessoal, cria-se harmonia no lar. E os membros desse núcleo se projetam socialmente de modo profícuo, conscientes do seu papel na construção de uma vida gratificante para todos.

Eis uma conquista da maior nobreza. Eis um poder digno de apreciação.

Onides Bonaccorsi Queiroz

dedo 9 c cortes

(Imagem: internet)

 

 

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