Verbo de ligação


faça o que gosta

Faça o que gosta. Sinta o quanto é bom fazer isso, preste atenção ao prazer que proporciona. E assente na consciência tal registro.

Faça o que gosta. E observe que a satisfação é combustível para a vida. Quanto mais fizer o que lhe agrada, mais disposição terá para cumprir com as incumbências. Porque a alegria do desfrute é o melhor antídoto para a sucessão infinita de tarefas, que oprime, deprime e neurotiza o cotidiano.

Faça o que gosta. A vida não tem sentido sem prazer. E os rendimentos do regozijo fornecem lastro para encarar as dificuldades.

Faça o que gosta. Algo que não dependa de mais ninguém para ser realizado. Que não represente risco para a saúde ou para a vida. Para o que não seja preciso dispender recursos, ou grandes recursos. Algo que não tenha necessariamente uma finalidade específica além de lhe proporcionar um momento de fruir. É um presente que você se dá.

Faça o que gosta. Regularmente. Nem que seja um pouquinho, para defender a alegria nossa de cada dia. Mas, se puder, faça mais, até se sentir pleno e realizado. Aliás, essa é uma diferença básica entre o fazer saudável e a compulsão – o vício não satisfaz nunca.

Faça o que gosta e perceba como isso o aproxima de uma presença muito familiar: a sua. Quando você sente a própria essência, a ansiedade vai embora. E também a tristeza, a inveja, a necessidade de falar mal dos outros, as mágoas, as raivas, os devaneios, o medo. Relaxado, você é você e isso é o bastante.

Faça o que gosta. E dedique-se a fazê-lo sempre com mais zelo e gratidão. Observe que a excelência e a originalidade são produtos desse sincero sacerdócio.

Tocar um instrumento, cuidar de plantas ou animais, costurar, jogar bola, ir à praia, ouvir música, caminhar, assistir a filmes, ler, dançar, escrever, costurar, cozinhar, desenhar, contemplar a natureza, brincar, cantar ou o que inventar: por favor, faça o que gosta.

E sinta orgulho do que faz. É um direito que lhe compete. Só não é direito seu supor que esse fazer é mais importante do que o fazer dos outros.

Faça o que gosta. E ensine-o a quem quiser aprender. Compartilhe, multiplique, enriqueça a vida. Quando oferece algo ao mundo, você recebe muito, sobretudo a percepção de que tem valor e de que é generoso. Entendimento fundamental, pois a autoestima é o chão da existência gratificante.

Faça o que gosta. Porque, contente, você fica mais disponível para colaborar com o contentamento dos outros. O que é ótimo, pois pessoas de bem com a vida certamente contribuem na promoção de um mundo com mais possibilidades de contentamento para todos.

Faça o que gosta. Sem culpa. A opinião dos outros é problema deles. Na verdade, qualquer oposição ao seu fazer prazenteiro é fruto do imbróglio pessoal daqueles que não se permitem fazer o que gostam e por isso não conseguem compreender, suportar ou perdoar os que são livres o suficiente para fazê-lo. Deixe que falem, se quiserem. Enquanto isso, você faz o que gosta.

Onides Bonaccorsi Queiroz

“Alegria” (Foto de Camila Massu)

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4 Comentários so far
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Gosto muito dos seus textos!

Comentário por Ana

Sempre bem-vinda, Ana!

Comentário por Onides Bonaccorsi Queiroz

tb quero te oferecer algo,posso?

Comentário por Gilson Brandao

Lindo de arrepiar! Muito grata pelo presente, Gilson.

Comentário por Onides Bonaccorsi Queiroz




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