Verbo de ligação


dezessete

Dezessete homens da Polícia Militar do Paraná se negaram, esta semana, a entrar em confronto com a população. Em sua maior parte, eram professores que protestavam, em Curitiba, contra a manobra de autoridades que desejam usurpar recursos da classe para pagar a conta da incompetência na administração pública.

Dezessete homens – e talvez mulheres – se recusaram a combater um movimento pacífico e justo, realizado por um dos segmentos mais fundamentais na formação da sociedade e – disparate – mais desprezados.

Dezessete homens não se dispuseram a avançar contra o povo, a atirar contundentes projéteis de borracha, a soltar cães ferozes sobre trabalhadores, a lançar, no meio da multidão, bombas de efeito moral – “moral”? Oh, ironia…

Dezessete homens – também já se falou em cinquenta – perceberam o equívoco e encontraram dentro de si envergadura ética para resistir e dizer: eu não!

Eles sabiam que então seriam punidos, dentro da corporação, com prisão e talvez exoneração. Que seriam discriminados – e até mesmo invejados – por muitos colegas de batalhão que não compreendessem que o discernimento é um valor mais elevado que a obediência. Mas, como a consciência traz a coragem para realizar a tarefa necessária, eles puderam seguir seu intento.

Dezessete. Queria saber quem são eles, olhar nos seus olhos, ouvir suas histórias e aspirações. O que pensaram, o que sentiram, o que farão? Queria saber como foram educados, como era o ambiente da sua infância, dos seus lares.

Queria beijar a mão de suas mães, que souberam cultivar na alma deles terrenos propícios para que tivessem um coração pulsante e compassivo. E também a mão de seus pais, que não se furtaram a estabelecer os limites indispensáveis para que esses homens tivessem condições de agir como tanta grandeza e honra.

Cada um desses valorosos homens deve orgulhar não apenas seus filhos, suas esposas, familiares e amigos, mas toda a nação humana. Porque quando, diante de um cenário tão lamentável que nos arranca dolorosas lágrimas, nos deparamos com tamanha dignidade, nosso peito consegue, de novo, respirar esperança.

Dezessete mil rosas de gratidão para condecorar, promover e festejar esses bravos homens que, no exercício de sua profissão, não abdicaram de sua humanidade.

Onides Bonaccorsi Queiroz

rosas brancas

    (Foto: internet)

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4 Comentários so far
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Lindo texto, que a realidade seja sempre assim e que outros mecanismos psicológicos e sociais não os corrompa a alma.

Comentário por Rancho das Crônicas!

Amém.

Comentário por Onides

Deve ser muito triste e difícil quando uma atribuição profissional vai contra nossa ética moral, mas fico feliz que a ética tenha vencido esta batalha e espero que a sociedade faça alguma coisa para proteger estes homens tão corajosos.

Comentário por Sandra Oliveira da Costa

Eu também, Sandra! Beijo.

Comentário por Onides




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