Verbo de ligação


breve encontro com lula
26/08/2013, 21:27
Filed under: depoimento

Quando ouvi que Lula estava na Biblioteca Pública de Rio Branco, a poucos passos do prédio onde trabalho, minha intuição me disse que eu não devia perder a oportunidade de vê-lo.

Como tenho aprendido que desprezar essa voz não é uma atitude inteligente, levantei-me e falei:

– Tô indo pra lá!

Alguns colegas me acompanharam e, já no grande salão térreo da biblioteca, fiquei a poucos metros dele, sempre rodeado de muita gente. E foi então que aconteceu um fato que me surpreendeu: percebi que uma forte emoção foi tomando conta de mim, e as lágrimas simplesmente rolaram.

Por quê? – eu me perguntava. Por que estou chorando ao ver o Lula?

Porque ele é uma lenda. Porque quando eu era criança, ele já era uma liderança conhecida. Porque veio de um dos redutos mais pobres do país e chegou a ocupar o posto chefe da nação. Porque, após duras batalhas no movimento sindical operário, teve a ousadia de ser um dos fundadores de um partido criado para defender os interesses de uma classe que não tinha a mais remota representatividade, numa época em que ainda se respirava a atmosfera da ditadura militar. Porque amargou três derrotas ao cargo de presidente da República – e não desistiu. Porque conseguiu alcançar o que desejava – e repetiu o feito. Porque teve iniciativas inéditas, corajosas e humanitárias – quem antes olhou tão de perto para a fome e a miséria no país? Porque, com seus acertos e erros, esse homem tem uma história.

Foi pensando nessas coisas que deixei que as lágrimas que me irromperam naquela hora corressem livremente, eu sabia exatamente por que estava chorando e não me envergonhava disso.

Nesse momento, a primeira-dama do Estado, Marlúcia Cândida, com quem já tive oportunidade de trabalhar algumas vezes, posicionou-se ao meu lado e me cumprimentou. Ao perceber minha comoção, pegou-me pela mão, levou-me até ele e me apresentou.

Lula me deu um abraço carinhoso e depois, talvez sugestionado pelo meu biótipo sulista, perguntou-me se eu morava no Acre – e há quanto tempo. Respondi que havia mais de três anos e que era de Curitiba. “Está gostando daqui?”, perguntou. Eu disse que sim, que havia uma qualidade muito especial nas pessoas, referindo-me à afetividade e à vitalidade acreana. Então ele me disse: “É, aqui é outro país.”

Em nosso breve encontro, reparei em sua capacidade de concentração. No tempo em que falou comigo, sua atenção estava completamente centrada na nossa conversa. Não detectei ansiedade ou pressa, senti que ele se entregava à sua tarefa de contatar o povo com tranquilidade e prazer. É, inegavelmente, portador de um carisma de marca maior.

Se acho o Lula perfeito? Claro que não! Nem concordo com tudo o que ele fez ou diz. Mas, a despeito de todas as polêmicas e escândalos, que, como a maioria dos brasileiros, também desejo ver esclarecidos e sanados – aliás, sejam de que partidos forem –, não tenho coragem de negar o significativo serviço que esse cidadão prestou ao Brasil.

Neste país há muito por ser trabalhado, muito a ser aprimorado, e, certamente, muito a ser reconsiderado, porque, afinal, tudo o que já vivemos e estamos vivendo faz parte do processo democrático e, para além disso, do processo evolutivo humano.

Entretanto, se observarmos a história brasileira no último século, há grandes conquistas. Para a sociedade em geral, para a mulher, para o negro, para o trabalhador, para a criança…

E eu entendo que Luiz Inácio Lula da Silva contribuiu para esse avanço.

Onides Bonaccorsi Queiroz

(Foto: Sérgio Vale/Secom)

(Foto: Sérgio Vale)

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4 Comentários so far
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Muito legal….

Comentário por Breno Luz

Que experiência boa! E que bela tradução! Parabéns!

Comentário por Marco

Vejo uma mulher linda, com ar de Indiana, com olhar intenso e firme, tomada por forte emoção.Penso que deve ter causado a ele uma ótima e sincera impressão. Sei que eles os “bons” suportam os bajuladores e adimiram os sensatos e leais.

Comentário por Ronaldo Ferreira do Amarl

Em primeiro lugar, adorei teu texto sobre aprender a fazer amor.
Me identifiquei.

Fiz pesquisa do teu nome e encontrei teu blog. Aí, ao ler sobre o Lulla, me ocorreu uma questão, e o faço lealmente: Sentirias o mesmo se fosse o Bispo Macedo? Pela descrição, os dois têm a mesma natureza de serem carismáticos e de influenciarem muita gente. Só que do Macedo se diz que há manipulação eficaz das necessidades básicas de seus seguidores, sendo, basicamente, expectativa de dinheiro.
O Lula, com o mensalão, não montou um ardiloso esquema de se apropriar das necessidades básicas de bolsa família, etc, e com um fim nobre conseguir circunstâncias não tão nobres como uma quadrilha que se mantém no poder a qualquer preço, colocando a todos eleitores em situação de reféns políticos? Ok. Acredito que tenhas te emocionado. Mas pelo Lula, corrupto e corruptor? O que dizer de Hitler? Por alguns anos ele manteve a Alemanha unida. E as pessoas se comoviam ao vê-lo.

Comentário por jkblock




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