Verbo de ligação


rabindranath tagore
15/04/2013, 18:52
Filed under: Prosa

“Eu estava mendigando de porta em porta no caminho da aldeia, quando tua carruagem de ouro apareceu ao longe, como sonho deslumbrante. E fiquei me perguntando, extasiado, quem seria esse Rei dos reis.

Minhas esperanças voaram alto, e pensei que meus dias infelizes haviam chegado ao fim. Fiquei sentado, esperando esmolas que me seriam dadas sem serem pedidas, e um tesouro, espalhando por toda a parte, na poeira.

A carruagem parou onde eu estava. Teu olhar pousou em mim e desceste sorrindo. Senti que a felicidade de minha vida havia enfim chegado. Então, de repente, estendeste a mão direita e me perguntaste: “O que tens para me dar?”

Ah, mas que gesto régio foi esse o de abrir tua mão para pedir esmola a um mendigo? Eu estava confuso e não sabia o que fazer. Então, bem devagar, tirei de minha sacola o menor grão de trigo, e o entreguei a ti.

Contudo, qual não foi a minha surpresa quando, no fim do dia, esvaziei minha sacola no chão, e encontrei um grão de ouro entre as pobres migalhas que restavam! Chorei amargamente, lamentando não ter tido a coragem de entregar-me todo a ti.”

Rabindranath Tagore in Gitanjali

Rabindranath Tagore (1861-1941), escritor indiano, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1913, pela coleção de poemas Gitanjali (pronuncia-se "guitándjali")

Rabindranath Tagore (1861-1941), escritor indiano, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1913, pela coleção de poemas Gitanjali (pronuncia-se “guitándjali”)

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