Verbo de ligação


itinerário de mulher
08/04/2013, 13:33
Filed under: Prosa

Menina-moça quer namorado. Como? Bem bonito. É comum que não perdoe os pobres mortais que a cercam, por não terem feições gregas. Mas as mais espertas e também as mais afoitas aceitam os comuns, inclusive com espinhas. E debutam nos idílios.

Moça feita geralmente gosta de elegância. Não quer andar com rapaz desalinhado. Logo, saber se trajar é pré-requisito para que ele obtenha o status de “gato”. Para ambos, nesse momento evolutivo o que vale é a aparência. E, no caso dela, sobretudo o quanto os outros irão admirá-la ou invejá-la, o que é muito importante, já que, embora não o diga e frequentemente nem perceba, não se dá muito valor.

Já uma mente nova – seja qual for a idade da portadora – aprecia muito o patrimônio. Deseja homem rico ou, se não houver jeito, remediado. Essa linha de raciocínio pertence necessariamente a um nível de cognição imaturo, que, entre outras limitações, não concebe a possibilidade de obter, por capacidade própria, os bens materiais que considera desejáveis. E continua resvalando apenas na superfície das coisas.

Então a mulher dá um passo. Conhece a dimensão do intelecto e se vê seduzida por ideias. Que tipo de parceiro ela quer? Um homem inteligente e culto, que apresente opiniões interessantes e valorize expressões culturais refinadas.

Um dia, quando se cansar desse mundo, que também pode ser muito fútil, haverá de chegar à conclusão de que a sofisticação intelectual desacompanhada da bondade pode ser desastrosa. Assim como a riqueza sem princípios apenas atrai a ruína. Como a elegância sem conteúdo é miserável. E como a beleza sem virtude apenas gera infelicidade.

A mulher sábia, a duras penas, depois de muito se iludir, de muito sofrer, de muito cair e muito se levantar, finalmente abdicou da salvação por meio de príncipe encantado, esteja ele projetado no companheiro, no pretendente, no pretendido ou em personagem imaginário.

O grande mérito da mulher madura é que aceita se responsabilizar pela própria felicidade. Senhora de si, entende que ela é a sua própria cara-metade e que tudo de que realmente necessita está em seu mundo interior. Não que seja fácil encontrar. Geralmente não é.

Entretanto, as prerrogativas da maioridade costumam ser muito compensadoras. Do alto da sua experiência, a mulher adulta sabe que pode manter um parceiro de jornada, pela alegria de sua presença, pela riqueza da troca que com ele realiza. Ela o quer, mas não precisa dele. Porque embora perceba que o que ele lhe dá seja valioso, sabe que o que aprende no encontro é mais significativo ainda. É seu tesouro inalienável.

É assim plena que escolhe ou recebe ou aceita um homem bom e amigo, porque sabe que essas qualidades sim são fundamentais para construir uma relação de amor profunda, duradoura e gratificante.

Onides Bonaccorsi Queiroz

(Foto: Adriana Bonaccorsi Queiroz)

(Foto: Adriana Bonaccorsi Queiroz)

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2 Comentários so far
Deixe um comentário

Linda! Transformou em texto aquilo que me falou no Café do MON! Tudo verdade. Adorei (de novo).

Beijão!

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Comentário por Lize Gevaerd

É lindo!

Comentário por ronaldo amarall




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