Verbo de ligação


o melhor da vida
15/12/2011, 16:11
Filed under: Imagem, Prosa

"Brincadeira de criança", foto de Sérgio Vale (BR364, entre Manoel Urbano e Feijó, Acre, 2009

Ô ternura, Pai do Céu! Essa imagem me dobra o orgulho, a vaidade, a dureza, a inveja. Essa inocência me lava os pecados.

Tanto tirarias de mim com esse teu sorriso, que não quer nada e conhece o que realmente importa. A tua vida não tem limites, menino.

Quando te olho, meu coração se envolve de uma beleza quase triste, e meus olhos têm vontade de se encher d’água. Na verdade, tu me matas de dor de amor.  É como uma saudade de casa, uma casa que está tão longe, que não encontro mais em minha memória, mas que nunca saiu do meu coração.

E emerge quando vislumbro esse mundo em que vives. Pois amo o silêncio das colônias. As palheiras do Acre, o arvoredo. O céu nublado: chuva a qualquer momento. E o cheiro de terra molhada. Amo as crianças, todas, ricas, pobres, de todas as idades, de todas as cores. Amo o espírito da pureza e as brincadeiras. E também o faz-de-conta, tão singelo e tão sofisticado. Os adultos pensam que não o querem mais, mas a verdade é que eles não o sabem mais.

Enquanto tu és soberano, sinhozinho, feliz com teu caminhão de madeira sobre a estrada perfeita, infinitas vezes mais belo e interessante que qualquer brinquedo que tenha saído de uma fábrica. Salve, salve esse eterno momento de alegria! Do qual haverás de guardar ao menos uma vaga lembrança até que chegue a velhice.

Deus abençoe e proteja a tua infância, meu filho. Eu te chamo assim com amor e propriedade, pois desde que me tornei mãe sei que todos são meus filhos.

Quer saber? Vou te levar pra casa, menininho lindo. Ainda que seja no papel. Pra te olhar sempre. E nunca mais me esquecer do melhor da vida.

Onides Bonaccorsi Queiroz

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2 Comentários so far
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Que maravilha Onidês! Obrigado por compartilhar 🙂

Comentário por Ronaldo Richieri

Leio esse lindo texto e contemplo os filhos…
Tenho um lindo casal de gêmeos, que estão agora com um ano e dez meses. O piazinho puxa pelo cordão um pequeno caminhão, agora virado com as rodas para o alto, não tá nem aí e lá vai ele, vrum, vrum,vrum…
A menina aproveita a distração da mamãe sentada ao telefone e sobre a sua perna cruzada balança sorrindo e diz algo parecido com pocotó…
E eu me desligo do mundo e viajo nesse faz-de-conta.
Abraços.

Comentário por Evandro




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