Verbo de ligação


rosa parks, uma lição sobre direitos humanos
13/05/2011, 17:25
Filed under: Artigo

Rosa Parks na década de 50, com Luther King ao fundo

 

“Mas, se no vosso medo, buscais apenas a paz do amor, o prazer do amor,

então mais vale cobrir a nudez e sair do campo do amor, a caminho do mundo sem estações,

onde podereis rir, mas nunca todos os vossos risos, e chorar, mas nunca todas as vossas lágrimas.”

Khalil Gibran in “O Profeta”

 

É relativamente fácil detectar a ocorrência de uma injustiça. A primeira condição é que se esteja atento aos fatos da vida, desde os grandes acontecimentos até as situações corriqueiras do dia a dia.

A segunda condição é que seja possível ao indivíduo identificar, dentro de si, as reações emocionais surgidas a partir desse determinado evento, a gama de sensações de conforto ou desconforto que são desencadeadas em sua alma.

Ainda que essas duas premissas não sejam exigências tão complexas assim, a maior parte da humanidade passa a vida ao largo delas. Quase todos parecem ter um prazer mórbido em adentrar a grande roda esmagadora da massificação, dando-se por satisfeitos em ter muita “companhia” e pouca reflexão.

Daí o motivo pelo qual as drogas, entre elas a televisão e tantos entretenimentos, obtêm tanta receptividade, em todas as classes sociais. O lema contemporâneo é: quanto mais anestesia, melhor. Se não sentir, não há conflito. Sem conflito, não é preciso arcar com a responsabilidade de agir.

Não é de se admirar que tenhamos chegado ao século 21 com pelo menos 15% da população mundial atingida pela depressão. A vida ficou sem sentido.

Diante desse cenário, que vem sendo montado ao longo da história, toda e qualquer notícia de desejo de uma vida realmente significante desperta polêmica. Porque ativa os verdadeiros anseios humanos, presentes em todos, ainda que remotamente.

Foi o que aconteceu no dia 1º de dezembro de 1955 na cidade de Montgomery, ao sul dos Estados Unidos, quando a costureira negra Rosa Louise McCauley, posteriormente conhecida por Rosa Parks, recusou-se a ceder seu lugar no ônibus a um branco e contrariou a lei vigente.

Rosa foi presa e multada em 14 dólares. Sua prisão desencadeou 381 dias de boicote em massa dos negros ao sistema de ônibus de Montgomery, organizado pelo pastor da Igreja Batista, Martin Luther King Jr.

O protesto levou ao fim da segregação nos transportes públicos e culminou em 1964, com a Lei dos Direitos Civis, que transformou a segregação racial em um ato fora da lei naquele país. No mesmo ano, Luther King ganharia o Prêmio Nobel da Paz. Em 1996, quarenta e um anos após o ocorrido, o governo americano premiou Rosa Parks com a “Medalha Presidencial pela Liberdade”. Em 1999, o Congresso americano outorgou-lhe a Medalha de Ouro, a mais alta honraria civil. Morreu aos 92 anos, famosa e reverenciada.

Hoje, cabe perguntar: o que ocorreu de fato naquele ônibus?

Enquanto Rosa permanecia sentada sobre o trono de sua dignidade, sua consciência se erguia. Em algum glorioso momento da evolução humana, a despeito do comportamento das pessoas com quem convivia e a despeito do seu próprio medo, a mulher deu-se a permissão de expressar pública e pacificamente seu descontentamento com a situação degradante a que se via submetida. Séculos de crueldade gravados no inconsciente coletivo negro e na sua própria história pessoal lhe permitiram reunir o quantum de coragem necessária para bancar a atitude que contribuiria para libertar milhões de negros e brancos do sofrimento e da ignorância.  E Rosa pronunciou a palavra mágica: “não”.

Onides Bonaccorsi Queiroz

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