Verbo de ligação


dona canô, grande mãe
08/05/2011, 18:32
Filed under: Artigo, Imagem

“Recebo e dou muito amor,tenho prazer de viver e paciência,sei que tudo tem seu tempo”

 

Dona Canô, a mãe de Caetano e Bethânia, gosta muito de viver e de celebrar. Desde que completou 100 anos, dia 16 de setembro de 2007, decidiu que comemoraria a vida todo mês, no dia 16. Nessas ocasiões, recebe filhos, netos, bisnetos e amigos com festa, em Santo Amaro da Purificação, a 71 quilômetros de Salvador.

Claudionor Viana, que desde criança levava o apelido de “Canô”, nasceu num lar humilde. Mas foi amparada por uma família de posses e estudou em escola particular, aprendeu piano, francês e contou com um ambiente propício para apreciar teatro e poesia. Cultiva a leitura até hoje.

Casou-se com José Teles Veloso e teve oito filhos: Nicinha, Clara Maria, Maria Isabel, Rodrigo, Roberto, Caetano, Maria Bethânia e Irene. Quase todos tocam um instrumento, muito provavelmente influenciados por sua musicalidade – Canô é uma soprano afinadíssima e sempre gostou de cantar.

Ficou viúva em 1983, após 53 anos de casamento. Já trabalhou muito na vida e tem amigas com mais de 100 anos também. Em seus aniversários, nunca quer presentes, só comida ou material de higiene, que recolhe para doação.

Quem olha para seu semblante amoroso e límpido, vê que ela tem ancorado na alma o arquétipo da Grande Mãe, boa e generosa, sempre receptiva a quem lhe procura. Mesmo os turistas que passam por Santo Amaro e têm curiosidade de conhecê-la são amavelmente recebidos pela própria no sobrado de dez quartos, onde mora há 60 anos. Por tanta doçura, é uma personalidade amada e reverenciada em sua cidade e em toda a Bahia por artistas, políticos e pelo povo.

Mas ninguém se engane, que a bondade de Canô não é ingênua, não oferece impedimento algum para seu discernimento. Em sua integridade, expressa seu ponto de vista com franqueza. E se há uma pessoa no Brasil autorizada a dar puxões de orelha em Caetano Veloso, é ela. Quando, em 2009, ele fez comentários deselegantes sobre Lula, a senhorinha declarou, do alto de sua sabedoria: “Foi uma ofensa sem necessidade. Caetano não tinha que dizer aquilo. Vota em Lula se quiser, não precisa ofender nem procurar confusão.”

Eis uma prova do seu tirocínio admirável, tamanha é a sua noção de realidade. Certa vez, o jornalista Matinas Suzuki Jr. lhe perguntou se tinha orgulho de Caetano e Bethânia por serem famosos. A resposta foi instantânea: “Eu não me orgulho dos meus filhos porque são famosos. Eu me orgulho deles porque são pessoas de bem, honestas, boas.”

Certamente, como ela mesma admite, Dona Canô ficou conhecida em todo o Brasil devido à celebridade de seus filhos. Entretanto, o que não se sabe é: seus filhos famosos seriam quem são hoje se não tivessem uma mãe assim luminosa?

Diante de tantas realizações, Canô credita sua força à espiritualidade. “Sempre tive muita fé. Assisto à missa na TV todos os dias e uma vez por semana vou à igreja”, diz. Figura singular, já teve suas memórias publicadas em livro, já foi tema de canções, já participou de documentários. E pode ensinar: “Recebo e dou muito amor, tenho prazer de viver e paciência, sei que tudo tem seu tempo.”

Em 2010, completou 103 anos. É porque ama a vida que Dona Canô vive tanto.

Onides Bonaccorsi Queiroz

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