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mulheres do brasil – lia de itamaracá
12/01/2011, 15:03
Filed under: Prosa
Lia de Itamaracá, a maior cirandeira do Brasil, que hoje completa 67 anos

Foto: Agência UEL

“Essa ciranda quem me deu foi Lia,
que mora na Ilha de Itamaracá.
Estava na beira da praia,
Ouvindo as pancadas
Das ondas do mar.”

“Itamaracá”, do tupi, significa “pedra que canta”. Parece ser um vocábulo muito adequado para denominar a terra da maior cirandeira do Brasil, Maria Madalena Correa do Nascimento, a Lia de Itamaracá, que  hoje completa 67 anos.

Foi a partir do início dos anos 70 que se tornou famosa no país, com a canção “Ciranda de Lia” (trecho acima), com Teca Calazans, que registrava algumas de suas quadras.

Lia lançou o primeiro LP em 1977, “A Rainha da Ciranda”. Em 2000 lançou “Eu sou Lia”. O sucesso do disco foi tal que acabou ganhando o selo de “world music”, sendo distribuído na França e nos Estados Unidos. Capiba e Paulinho da Viola compuseram-lhe homenagens. Em 2008 lançou “Ciranda de Ritmos”. A imprensa internacional chegou a classificar seu trabalho como “trance music” ou “música que induz ao transe”. O New York Times denominou-a “Diva da música negra”.

Seu legado é tamanho que ela carrega o título de “Dama da Ciranda”. E é majestosa não só na envergadura cultural, como também no porte físico: mede 1,80m!

Mas, assim como o mestre Cartola, que a despeito de seu talento passou a vida servindo cafezinho em repartição pública no Rio de Janeiro, uma artista do quilate de Lia, para se sustentar, trabalha como merendeira numa escola pública da rede estadual de ensino de Pernambuco. Quando é que o Brasil vai merecer o Brasil?

Foi com a ajuda de capital estrangeiro que comprou o espaço onde atualmente funciona o Centro Cultural Estrela de Lia (CCEL), na Praia de Jaguaribe, no município de Ilha de Itamaracá. Desde 2005, carrega o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco.

E segue em frente. Dedica a vida a lembrar o seu povo que cirandar é tão simples e tão bom! A ciranda é brincadeira, é arte, é ritmo, música, encontro, memória, conhecimento, identidade cultural e muito mais. E é completamente inclusiva. “Na ciranda dança todo mundo. Velhos e moços, homens e mulheres, crianças e adultos”, diz a Lia do Brasil, Lia do Mundo.

Parabéns, Lia!

Onides Bonaccorsi Queiroz

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1 Comentário so far
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Oi.O autor da ciranda/Lia é Mestre Baracho e não T Calazans. E mais, a opinião do NY Times é de quem só conhece o Brazil(ele desconhece por exemplo Dolores Duran) – mesmo assim o texto tem algum valor.

Comentário por luiz alceu




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