Verbo de ligação


mulheres do acre – raimunda da silva de assis
15/09/2010, 20:07
Filed under: Fotos Onides, reportagem

                Compaixão não é meramente o sentimento de dó, como pensa a maioria das pessoas. Compaixão é a capacidade de se colocar no lugar do outro e de sentir o que ele sente, num patamar de igualdade.

                É, portanto, uma qualidade cada vez mais rara entre os seres humanos. O que torna surpreendente o fato de encontrar alguém que anda alegremente na contramão do individualismo. Certamente encantará os indivíduos de boa vontade conhecer alguém que se chama Raimunda da Silva de Assis (foto), moradora do bairro Plácido de Castro, em Rio Branco.

                O que tem essa mulher de especial? Ela é solidária com o sofrimento alheio. De maneira tão intensa que não consegue ficar parada. “A fome dos outros dói em mim”, diz e sai pelo mundo em busca de soluções, seja pedindo cestas básicas, seja organizando a sua comunidade para obter geração de renda.

                Seu trabalho social teve início há 20 anos, quando começou a trabalhar na Pastoral da Criança. Sessões de pesagem dos pequenos, preparo de lanches, de soro caseiro e da multimistura (espécie de farinha supernutritiva), além de orientação para as mães, foram as primeiras atividades de Raimunda, as quais mantém até hoje, em sua própria casa.

                E, por falar nisso, “casa” é um capítulo especial na biografia dessa mulher. Todos os cômodos de sua residência são espaçosos, para atender melhor o povo que circula ali. A varanda serve de espaço para abrigar o coletivo regional do Projovem, que promove atividades com adolescentes duas vezes por semana. A cozinha parece de restaurante, vasta e cheia de utensílios. Os que mais se sobressaem são as grandes panelas. Ali é preparada a sopa das quartas-feiras, servida às quatro da tarde. Às duas já tem gente chegando. Adultos, idosos e crianças, em média 100 pessoas se socorrem da generosidade de Raimunda nesses dias. Mas ela afirma já ter servido 215 refeições numa tarde, sendo que, com o auxílio de suas colaboradoras e das instituições que doam os alimentos, tem a preocupação de fazê-la, em quantidade farta, para que as pessoas possam também levar o alimento para casa. Diz, sorrindo, “é tão bom você ver uma criança feliz, de barriguinha cheia…”

                “Só”, dona Raimunda? Não. Tem mais: do contato com mulheres pobres e sem perspectiva de terem seus próprios rendimentos, essa líder percebeu a necessidade da emancipação financeira feminina e fundou a Associação de Mulheres Um Passo para a Libertação. Em regime de cooperativa, produzem e vendem cestaria em jornal, tapetes e sabão caseiro.

                E não é que ela ainda arranja tempo para sonhar? Quer construir a sede da associação, ao lado da casa, para servir mais refeições e manter um centro cultural para os jovens do bairro. Aceita doações.

                Como se vê, muito bem empregados estão os 52 anos dessa filha de Xapuri. Que emenda: “eu quero é mais 50 para fazer mais”. Felizmente, o amor de Raimunda não tem limites.

Onides Bonaccorsi Queiroz, em reportagem publicada em 13.09.2010 no Jornal Meu Lugar, de Rio Branco-AC.

Anúncios

1 Comentário so far
Deixe um comentário

Mana !!! que lindo artigo,,,,e suas palavras sempre emocionam, tanto qto as historias de vida que vc conta. Isso é dom divino, mesmo, sucesso pruce, e um xero!!

Comentário por silvana camargo




Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s



%d blogueiros gostam disto: