Verbo de ligação


menina na praia
14/01/2010, 22:59
Filed under: Prosa | Tags:

Bom mesmo era o final da tarde no litoral. A luz do sol ficava gentil e dourada, não lhe fazia arder a pele branca.

Chegava à praia correndo porque caminhar não ancorava sua euforia. Pisava na fofa areia seca e sentia, satisfeita, o tão amado cheiro do mar invadir até o último recôndito de suas narinas.

Avançando, pisava agora na areia compactada pelo vaivém das ondas e esperava o marulho cobrir seus pés. Maré subia. Aí riscava a água com os dedos e percebia os membros recordarem um antigo e misterioso movimento, mais tarde revelado, o mesmo tão repetido no ventre da mãe.

Com grande prazer assistia à espuma branca se formando no atrito das águas, para depois cada bolha espocar. Som e imagem espetaculares. E lá do mundo sem fim vinha a base, o canto grave e intermitente do oceano.

Descobria encantamentos. O assobio do vento brincava de atravessá-la. Em avanços e recuos, o mar pulsava. De costas para as profundezas, ela deixava os pés afundarem na areia, e então acontecia a mágica: com a mesma força que as ondas se recolhiam, sentia seu corpo sendo projetado para o continente, mas sabia que estava parada. Ou não?

Tão grande, misterioso e belo o mundo que descortinava na amplitude dos seus sentidos de menina. Tão íntimo, que era natural que o carregasse todo dentro de si.

Onides Bonaccorsi Queiroz

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